Obesidade infantil – Como os pais podem ajudar
Se a criança ou adolescente está acima do peso, sofre preconceito e pressão na escola, dos amigos e no próprio ambiente familiar, através dos irmãos e mesmo dos pais. É comum os avós contrariarem as orientações dos pais, apoiando o consumo de alimentos calóricos e os irmãos atribuÃrem apelidos.
Os pais podem ajudar da seguinte forma:
a) Companheirismo
- Procure ser mais companheiro das crianças, reservando pelo menos uma hora do dia para dedicar-se apenas aos seus filhos;
- Fazer atividades fÃsicas ao ar livre junto com seu filho ajuda bastante. Tente jogar bola, andar de bicicleta, fazer um passeio no parque;
- Algumas brincadeiras, mesmo dentro de casa podem ajudar, como pular, dançar, ou mesmo aqueles jogos, tipo tapetes, em que a criança e os pais devem pisar no quadradinho certo, obedecendo ao ritmo de uma música.
b) Atividade fÃsica
- Matricular a criança em algum esporte. Isto ajuda a melhorar a aptidão fÃsica e a auto-estima. Crianças muito obesas poderão ter dificuldade, ou mesmo vergonha. Talvez possam começar com atividades recreativas e caminhadas, preferencialmente acompanhadas dos pais. Após uma pequena redução no peso, a criança melhora a auto-estima e a aptidão, estando preparada para enfrentar desafios maiores, como um esporte individual ou coletivo.
c)  Alimentação da famÃlia
- A alimentação da famÃlia deve ser adequada à quilo que a criança deve comer. Nenhuma criança tem necessidade de guloseimas, salgadinhos, balas, doces, sorvetes, fast-food, refrigerantes  sucos artificiais. Esses Ãtens podem ser esporádicos. Ter firmeza e argumentar em favor da saúde é uma saÃda, inclusive quando existe na mesma famÃlia uma criança magra. Por outro lado, toda criança necessita, para o seu desenvolvimento, de frutas, verduras, carne, leite e ovos, pois a falta de nutrientes pode gerar doenças. Aqui entra a questão do limite, tão importante para a criança quanto difÃcil para alguns pais. Ser permissivo nesse quesito pode significar a diferença entre a saúde e a doença, entre a adequação e a eterna busca pelo peso ideal.
d) Percepção de saciedade
- Culpar a criança por consumir uma quantidade ou tipo de alimento inadequado não resolve. Se a criança toma refrigerante é porque alguém comprou. Por outro lado, se ela come uma quantidade excessiva de alimentos é porque não consegue perceber quando está saciada.
- Os pais podem ajudar:
- Solicitar que o pequenino faça uma pausa após consumir determinada quantidade de alimento;
- Pedir que respire bem fundo e calmamente, pelo menos por 3 vezes;
- Colocar levemente as mãos sobre o estômago;
- Fechar os olhos e tentar perceber o quanto o estômago dele está cheio ou vazio;
- Se a criança julgar que ainda tem fome, pode comer um pouquinho mais e repetir o procedimento.
A repetição desta estratégia faz com que a criança perceba, ao longo do tempo, quando o estômago está cheio. O ideal é parar de comer antes que fique completamente cheio.
Deve ser explicado que, assim, o estômago não aumenta de tamanho e são evitadas dores estomacais, azia e mal-estar por comer demais.
e) Determinação de horários
Depois de todo o exposto acima, fica fácil apontar onde estão os erros que levararm ao excesso de peso. Inicialmente, toda criança, ou mesmo adulto, necessita de uma certa dose de disciplina. E não existe disciplina sem horário.
- Determinar os horários de dormir e acordar, seguindo as recomendações de cada faixa etária, é o primeiro passo para uma vida saudável.
- Posteriormente os horários das refeições devem ser ajustados. É impossÃvel realizar uma reeducação alimentar sem horários determinados. A criança deve fazer 3 refeições por dia e de 2 a 3 lanchinhos nos intervalos, comendo a cada 3 horas aproximadamente;
- O tempo dedicado à televisão, vÃdeo game e computador deve ser limitado a 2 ou 3 horas por dia;
- Reservar, no mÃnimo, 1 hora por dia para atividades fÃsicas;
- E o restante do tempo deve ser para brincar com outras crianças.
A importância do desjejum
O desjejum é talvez a refeição mais importante, pois é o momento em que o organismo mais necessita de energia, já que tem o dia todo para gastá-la. Por outro lado, é a refeição mais negligenciada, em função da pressa e porque a maioria das pessoas não sente fome pela manhã.
A inversão dos horários de sono leva também a inversão nos horários de fome. Os adultos e mesmo as crianças ficam, até tarde, na frente da televisão e do computador e acabam sentindo fome. Comem e vão dormir. Claro que essa refeição não foi gasta, levando-os a engordar. Consequentemente, não sentem fome pela manhã. Acordam em cima da hora e vão correndo para as suas atividades.
Ano após ano o ciclo se repete, contribuindo cada vez mais para a obesidade. Inverter esse hábito é difÃcil, mas deve ser iniciado com a redução gradual dos alimentos no horário da noite e a introdução gradativa do desjejum, até que o hábito se fixe. A realização do desjejum, o parcelamento das refeições em 5 a 6 por dia e a redução do hábito de comer noturno, contribuem para um metabolismo mais saudável, com maior gasto de energia, mesmo que o consumo de calorias permaneça igual.
Fonte: Livro Obesidade Infantil
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